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O Tempo contra o Tempo

6.06.2014 13h06 - por Assenar

Se rapidamente pensarmos em profissões que remetem à expressão “meio ambiente”, talvez venham à mente a biologia, a oceanografia, a engenharia ambiental.

Porém, se pararmos para pensar, notaremos que, além da engenharia ambiental, as profissões da área tecnológica são as que mais se relacionam com o meio ambiente; meio ambiente não no sentido de “agenda verde”, mas no sentido real, que é o espaço que diariamente ocupamos e no qual nos locomovemos, o ar que a cada segundo respiramos, os equipamentos de que dispomos, enfim, quase tudo aquilo que diz respeito ao que chamamos de qualidade de vida.

Somos responsáveis diretos pelo planejamento das intervenções que agridem ao meio ambiente: a arquitetura e urbanismo com a impermeabilização e uso do solo urbano, a engenharia civil com as obras que alteram o panorama e as condições climáticas regionais, a engenharia elétrica, mecânica e química com os processos industriais responsáveis pela emissão e deposição de poluentes, a agronomia com seus agrotóxicos e a expansão agrícola que altera definitivamente as paisagens, e por aí vai.

Mas, se assim é, somos também responsáveis diretos pelo planejamento das intervenções que preservam o meio ambiente: tudo o que foi anteriormente citado pode ser projetado e executado de modo que vislumbre a sustentabilidade: o uso de materiais e insumos adequados e técnicas eficientes, sabemos, reduz o impacto que as necessidades humanas provocam.

Portanto, como profissionais temos a responsabilidade de tomar posição: nosso trabalho agredirá ou preservará o meio ambiente? É necessário ponderarmos sobre o impacto que o atendimento de nossos interesses individuais ou de nossos clientes trará sobre a coletividade e, no final das contas, sobre nós mesmos e sobre nossos clientes. E mais, precisamos ser agentes sociais e políticos na defesa da sustentabilidade. Tratar de meio ambiente exige inteligência consciente, coisa que parece fazer parte da personalidade de uma minoria de homens e mulheres nobres. Mas cada um de nós pode começar ou continuar a agir assim!

A continuar do jeito que está, nosso desenvolvimento muda o clima, muda o tempo, muda nossa maneira diária de usar o tempo. E o tempo vai passando. O tempo contra o tempo. 5 de junho, Dia Mundial do Meio Ambiente. Este artigo está um dia atrasado. Mas ainda está em tempo. Ainda temos tempo.

João Ricardo Somensi
Presidente da ASSENAR